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out 29, 2026

As eleições terminaram, agora é monitorar

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Há poucas semanas, o alerta era para que o eleitor observasse seu voto. Agora, com os votos contabilizados, é o momento de monitorar as ações de quem foi escolhido para as cadeiras públicas em Mato Grosso e no país todo.

No primeiro turno, Mato Grosso escolheu quem comandará o Governo estadual e definiu os representantes estaduais para o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. No segundo turno, o resultado trouxe dois dados que dizem muito. Nacionalmente, Lula foi reeleito, mas, em Mato Grosso, Flávio Bolsonaro venceu com folga.

E o que tudo isso significa a partir de 2027? O governador eleito não herda uma página em branco. Herda o balanço da legislatura que se encerra — a mesma que aprovou, entre 2023 e 2026, pelo menos 18 projetos de lei com incidência direta sobre o Código Florestal, que flexibilizou o licenciamento ambiental, que liberou a mineração em Áreas de Reserva Legal e proibiu o transporte e a comercialização dos principais peixes de Mato Grosso. Na nova ALMT, partidos da coligação do governador eleito, como Republicanos e Podemos, somam juntos dez das 24 cadeiras. Traduzindo: Executivo e Legislativo tendem a conversar muito bem nos próximos quatro anos. E quando o governador e a Assembleia andam juntos, o contrapeso que sobra é a sociedade.

É pelo orçamento do Estado que se garante se haverá dinheiro para saúde, educação, moradia digna, fiscalização ambiental, brigadas, parques e segurança hídrica, ou se a conta da escassez, do calor intenso, da falta de água ou de transporte digno seguirá sendo paga pela periferia. São leis e decretos que liberam licenciamento de empreendimentos perto dos bairros, de loteamentos que impactam os rios com esgoto, barragens de hidrelétricas, drenagens de áreas prioritárias à preservação da vida.

Hoje, é possível acompanhar tudo isso pelos canais oficiais, como no site da ALMT e no Diário Oficial do Estado. Na Câmara e no Senado, as agendas e os projetos federais estão abertos à consulta. A informação existe; o que falta é o hábito ou o tempo de procurá-la. E a sociedade civil pode apoiar nesse processo. O Observa-MT monitora o que tramita na Assembleia e no Executivo e publica balanços, notas técnicas e alertas no site observamt.org.br e de parceiros como o Observatório do Código Florestal, o Fórum Popular Socioambiental (Formad) e outras redes que monitoram pautas diversas complementares. Lembre-se: o voto foi o primeiro ato de cidadania, monitorar o que as pessoas eleitas fazem com ele é o segundo.

Este artigo de opinião foi originalmente publicado pelo Jornal A Gazeta na edição do dia 29 de outubro de 2026.