Notice: Function _load_textdomain_just_in_time was called incorrectly. Translation loading for the smart-post-show-pro domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home2/observ64/public_html/observamt.org.br/wp-includes/functions.php on line 6131
Transporte Zero: “Propostas de emendas e substitutivo são distrações para agradar base eleitoral”, analisa o Observa-MT | Observa MT

Jun 26, 2023

Transporte Zero: “Propostas de emendas e substitutivo são distrações para agradar base eleitoral”, analisa o Observa-MT

COMPARTILHE:

Ao analisar ponto a ponto as emendas e Substitutivo Integral ao projeto de lei Transporte Zero, especialistas do Observatório Socioambiental de Mato Grosso traduzem as proposições como meras distrações para tentar agradar o eleitorado.

O analista socioambiental do Observa-MT, Rafael Nunes explica que tanto as emendas quanto o substitutivo só modificam pontos secundários do projeto. “Mantêm a finalidade da proposta do Governo de Mato Grosso, que é a de proibir o transporte, comercialização e consequentemente, acabar com a atividade da pesca nos próximos cinco anos, além de impor auxílio à revelia dos pescadores”. Dessa forma, em sua avaliação, continuam a impedir ilegalmente e inconstitucionalmente a atividade da pesca.

“Poucas são as sugestões que destoam, como a de Valdir Barranco (PT), que por exemplo, acaba com o projeto porque mantém a legalidade da pesca. Em alinhamento, o deputado Lúdio Cabral (PT) nem chegou a apresentar emendas pois defende que ‘não tem conserto’ para o projeto, declaração que fez ao final da reunião extraordinária da Comissão de Meio Ambiente desta semana”.

E a consultora jurídica e de articulação do Observa-MT, Edilene Fernandes do Amaral, aponta o que parece uma motivação para a elaboração de proposições, focada nas bases eleitorais.

“Uma maneira de responder às críticas de suas bases eleitorais”. Ao serem criminalizados por suposto declínio de peixes, pescadores têm lançado luz a ausência de moratória a empreendimentos de grande impacto sobre o meio ambiente e recursos pesqueiros, como as hidrelétricas. “E vale ressaltar, não há qualquer estudo de viabilidade socioeconômico e ambiental atualizado que comprove essa afirmação do governo”, realça.

“Então, no que diz respeito às hidrelétricas, trazem um jabuti que é uma proposta teórica de proibição no rio Cuiabá. Mas vale lembrar, recentemente o STF decidiu que o Estado não tem poder de legislar sobre o assunto. E depois disso, a própria SEMA negou licenciamento a seis PCHs”.

Além do jabuti, o substitutivo traz um outro agravante. “Que foi a inclusão de mais uma modalidade beneficiada, a do setor do pesque e pague que tem autorizado o transporte de pescado em lagos. Vamos pensar bem, vai ser difícil para a fiscalização detectar que não se trata de pescado no rio. Além disso, é uma maneira de premiar aqueles que têm em suas propriedades, os lagos de barramento”.

Edilene pontua que o substitutivo traz algo que parece ser positivo para os pescadores, mas que não muda a realidade. “Pode até chamar a atenção a proposta de 1 salário mínimo por três anos, mas não podemos nos esquecer que a renda dos pescadores, conforme relatam, oscila entre R$ 2.500 e R$ 3.000 em média”.

Na análise das proposituras, o Observa-MT realça outras tentativas de agradar o eleitorado. Caso da permissão, via emenda coletiva, de pesca nos municípios de Barão de Melgaço e Santo Antônio de Leverger. “Só não pode pescar na baía, mas como os agentes ambientais saberão o local da pesca? Em outro ponto, é sugerida a liberação da pesca de apenas o pirarucu. Então, o resumo da ópera é esse: emendas pontuais que não trazem efeito real e que só têm cunho eleitoral”.

Entenda como será a 2ª votação do projeto

Deputados devem votar pela aprovação ou não da proposta atual, enviada pelo governo ou substitutivo. Caso decidam pela aprovação de um dos dois, votarão as emendas. A votação das emendas pode ser em blocos ou pedido destaque pelo deputado autor, que terá um tempo de tribuna para defender e votar uma a uma.

O Observa destaca que as audiências públicas foram realizadas nos municípios de Barão de Melgaço, Santo Antônio de Leverger, Cáceres e Barra do Bugres, no entanto, a ALMT não disponibilizou as gravações na íntegra para futuras consultas. Durante as audiências, os participantes reclamaram do projeto e dentre outros pontos, alertaram sobre a ausência de alguns deputados, que deveriam estar ali ouvindo os moradores das comunidades tradicionais para formar opinião e definir de que maneira votarão. 

Confira aqui a análise na íntegra. 

Foto Aldenir Viana/Wikimedia Commons